William Mendonça
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Meu Diário
15/09/2009 18h00
PEÇAS NA SBAT

Depois de quase três anos disponíveis para download gratuito aqui no site, as minhas peças O ENCOSTO e O CANGACEIRO NA INTERNET foram retiradas do ar. Sigo a orientação da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT), que me representa em questões de direito autoral. A partir da próxima semana, vou manter no site uma sinopse de todas as minhas (12 ao todo), sempre com um trecho do texto no ar, para dar aquele "gostinho" de quero mais. Aos poucos, estou procurando a profissionalização nas áreas artísticas pois, depois dos 40 de idade, resolvi investir tempo e recursos também na carreira artística. Os e-books para download em pdf, ademais, não foram lá um dos pontos altos deste site - a procura sempre foi muito baixa, na média de 25 downloads por peça. Portanto, quem quiser conhecer um pouco mais do teatro deste que vos fala, vai precisar entrar em contato por e-mail ou ir direto à SBAT.
Um grande abraço a todos!
 

Publicado por William Mendonça
em 15/09/2009 às 18h00
 
10/09/2009 12h59
ALGUMAS PALAVRAS
A VOLTA
O relançamento do jornal O VERBO, que teve circulação em breve período no ano de 2003, é o resultado direto de algumas mudanças em minha vida profissional. Com o fim da exigência do diploma para o exercício do jornalismo, nada mais me impede, tecnicamente, de exercer plenamente a profissão que abracei em 1988. Ao mesmo tempo, estou saindo do Banco do Brasil, onde trabalhei por mais de cinco anos. A coluna ALGUMAS PALAVRAS vai abordar política, economia e comportamento. Esta é a edição de teste, já que o jornal voltará a circular em 23 de setembro.

DESPEJADO
Pois é, a imprensa anda meio em baixa. O Museu da Imprensa, que funcionava nas instalações da Imprensa Oficial em Niterói foi despejado nesta semana. Motivo: fim do contrato de comodato que permitia seu funcionamento no local. O jornalista Jordan Amora, responsável pelo acervo, agora terá que encontrar outro local para apresentar à população um pouco da história dessa atividade.
 
VEREADORES
O PSOL vai votar contra a PEC dos Vereadores (proposta de emenda constitucional que amplia em quase 8 mil o número de vereadores no país). Segundo o deputado Chico Alencar, um dos líderes do partido, o importante não é aumentar a quantidade, mas sim a qualidade, dos vereadores. No entanto, ele mesmo acredita que a PEC será aprovada, porque a pressão dos suplentes está "sensibilizando" a maioria dos deputados. (Em tempo: a PEC foi aprovada em primeira votação na Câmara no dia 9 de setembro).
 
FORA SARNEY
O movimento Fora Sarney continua a todo vapor. Fez manifestações durante o Desfile Cívico de 7 de setembro em Brasília e também durante o jantar entre o governador Sérgio Cabral Filho e a bancada de deputados e senadores do Rio, no mesmo dia. O alvo das críticas e palavras de ordem durante o jantar era o senador (segundo suplente) Paulo Duque, do Conselho de Ética do Senado, que arquivou denúncias contra Sarney.
 
FUTURO
O aquecimento global, com certeza, levará o mundo a modificar sua matriz energética nos próximos dez ou vinte anos. Deixará de ser baseada em petróleo e carvão e passará a energias menos poluentes - solar, eólica, etc. Portanto, é bom o Brasil, e o presidente Lula, botarem as barbas de molho, pois quando o petróleo do pré-sal estiver disponível para venda, a demanda por petróleo talvez seja bem mais baixa do que hoje.
 
ROYALTIES
Para quem é contra que o Rio de Janeiro e outros estados produtores recebam a maior fatia dos royalties do pré-sal, aqui vai mais um exemplo da estupidez dessa tese: no dia 4, um vazamento de óleo de uma plataforma da Petrobrás na Baía de Guanabara deixou uma mancha de aproximadamente 150 metros de extensão e chegou às praias de Niterói. Será justo o Rio sofrer com acidentes desse tipo e não receber uma compensação?
 
POUPANÇA
Em meio à crise financeira internacional, que ainda está longe de acabar, a desprezada poupança ganhou ares de grande investimento no Brasil. Pelo quarto mês consecutivo, os depósitos superaram os saques e o saldo em agosto chegou a R$ 3 bilhões. O resultado em agosto foi o segundo melhor do ano. De janeiro a agosto, os depósitos na poupança já superam os saques em mais de R$ 12 bilhões.
 
PROFESSORES
Os professores da rede estadual de ensino entraram em greve no dia 8, em alerta contra a votação do projeto de lei que incorpora a gratificação do programa Nova Escola aos salários da categoria, em sete parcelas, no extenso prazo de seis anos. A categoria quer um efetivo plano de cargos e salários e a incorporação imediata, ou em prazo mais curto, da gratificação, que foi criada no governo de Anthony Garotinho. Já houve confronto com a polícia e mais manifestações estão previstas para os próximos dias.
 
ALVARÁ
A Prefeitura de Rio lançou uma idéia que deveria ser adotada o mais rápido possível por todas as cidades: criou o portal na internet Alvará Já, que permite a formalização de empresas que atuam na clandestinidade. Desde que não envolva questões ligadas à vigilância sanitárias, como bares e restaurantes, qualquer empresa pode tirar seu alvará on line, sem burocracia e em curto prazo.
 
MOQUECA
O presidente Lula tentou oferecer um churrasco para o presidente francês, Nicolas Sarkozy, durante sua visita ao Brasil. Disse que estava devendo a gentileza há mais de um ano, só que o vidro temperado da churrasqueira estourou e encheu a carne de cacos. Resultado: o chefe do governo francês acabou caindo de boca numa moqueca capixaba com feijão tropeiro e, segundo Lula, aprovou o cardápio.
 
EXÉRCITO
O Exército usou um grande aparato militar para uma missão bem diferente: participar das gravações do programa da apresentadora Eliane, no SBT. No programa, uma equipe de oficiais do Exército, com vários carros militares e até helicópteros, participaram de uma missão fictícia para entregar à apresentadora, pasmem, um microfone branco. O SBT garante que pagou todas as despesas. Será?
 
(Coluna do jornal O VERBO, edição de teste, 1ª quinzena de setembro de 2009)
Publicado por William Mendonça
em 10/09/2009 às 12h59
 
08/09/2009 23h59
INFORME CULTURAL 08/09/2009
NORA ROBERTS

Ela é um fenômeno de vendas na literatura americana, que tem duas grandes qualidades para os exigentes editores dos Estados Unidos: atinge em cheio o público feminino e escreve muito (foram quase duzentos livros na carreira, iniciada nos anos 80, até agora). Eleanor Marie Robertson, mais conhecida como Nora Roberts (foto), é a autora de maior destaque da lista de best sellers no New York Times e a primeira a ser escolhida para a Galeria da Fama dos Escritores Românticos dos Estados Unidos. Pode ser encontrada aqui no Brasil em traduções nos livros da Harlequin (os “livros de bolsa”, a preços populares, vendidos em bancas de jornal) e da Bertrand Brasil. Suas sagas familiares, como “O legado dos Donovan” e a “Trilogia da fraternidade”, são compostas de vários volumes, não estão longe das novelas brasileiras – histórias que misturam drama, romance, suspense e humor, numa ambientação bem construída. Seus livros foram traduzidos para 25 países e venderam mais de 2 milhões de exemplares. Vale a dica, pois quem lê, aprova. 

 

PATROCÍNIO OU

LATROCÍNIO?

Enquanto são engavetados por ano centenas ou até milhares de bons projetos culturais – filmes, peças de teatro, discos, livros e eventos artísticos – por falta de apoio, o Ministério da Cultura resolveu “patrocinar” uma estranha, obscura e até questionável passeata contra o aborto, que de cultural não tem nada. O dinheiro, para piorar, não saiu de alguma lei de incentivo à cultura mas do orçamento próprio do Ministério. Fora o fato de que passeatas não são, efetivamente, manifestações culturais e que o aborto é mais um tema de moral e saúde pública, passando longe da temática cultural, fica a pergunta: que dinheiro é necessário para se organizar uma passeata? Em que ele é utilizado (quem sabe, na compra de resistentes calçados italianos com couro australiano para todos os participantes)? A palavra certa talvez fosse “latrocínio” – roubo seguido de morte – pois a ética foi assassinada sem o menor dó. Se a moda pega.  

 

TÚMULO 

DE MACEDO

O sempre atento jornalista Chico Carlos, diretor do jornal TANGUÁ NOTÍCIAS, na edição de agosto, fez um alerta muito interessante sobre o abandono em que se encontra o túmulo do escritor Joaquim Manoel de Macedo, o maior nome itaboraiense nas letras brasileiras. Romancista, teatrólogo, poeta, um dos ícones do Romantismo, Joaquim Manoel de Macedo era uma verdadeira celebridade em seu tempo. Escreveu romances de grande sucesso, como “A Moreninha”, já adaptado para a TV e o cinema, e “O Moço Loiro”, foi médico, professor (inclusive da Família Real brasileira), um intelectual aclamado em seu tempo e lembrado até hoje por seu legado cultural. Mas nem tudo isso impede que seu túmulo, no Cemitério Municipal São João Batista, em Itaboraí, esteja mal conservado e mal sinalizado. As principais cidades do mundo reverenciam a memória de seus grandes nomes mas, no Brasil, isso está longe de ser uma realidade. Ficamos devendo homenagens, em Itaboraí, não só a Macedo, mas também a João Caetano, o primeiro grande ator brasileiro, a Alberto Torres, político, escritor e intelectual também aclamado nacionalmente, e muitos outros. Fica aí o toque.

 

POR FALAR EM

MEMÓRIA

Falando em memória, de fato é preciso registrar que o trabalho do setor de Patrimônio Histórico de Itaboraí está mostrando bons resultados e conseguindo recursos para Itaboraí. O gestor da cultura na cidade, Sérgio Espírito Santo, conseguiu junto aos Ministérios da Cultura e do Meio Ambiente e no Congresso Nacional a inclusão de recursos para Itaboraí, que garantirão obras de restauração e preservação do patrimônio histórico e arquitetônico local: a Casa de Cultura Heloísa Alberto Torres receberá obras de reforma e paisagismo, a Igreja de São João Batista também será restaurada, e a própria Praça Marechal Floriano Peixoto será transformada naquilo que deve mesmo ser, um centro histórico preservado, sem tráfego de veículos, com paisagismo renovado, cabeamento subterrâneo, transferindo a quadra e os quiosques para locais próximos. Além disso, Sérgio Espírito Santo ralou para conseguir a inclusão de Itaboraí no importante programa Monumenta, do Governo Federal. São apenas 95 cidades em todo o país e o Monumenta realiza ações de reabilitação das áreas históricas, como já fez, por exemplo, no casario do Centro de Salvador (BA), além de disponibilizar através do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) uma linha de financiamento para a recuperação de imóveis privados que fiquem nessas áreas históricas. Trabalho sério sempre mostra resultados.

 

DISNEY + 

MARVEL

Caiu como uma bomba nos meios editorial e cinematográfico a notícia de que a Disney adquiriu todo o portfólio de heróis da Marvel Comics, uma das maiores empresas do setor de quadrinhos dos Estados Unidos. As cifras são de gente grande: estima-se que o negócio seja em torno de 4 bilhões de dólares. A Marvel é responsável por mais de cinco mil super-heróis e vilões e é a mais popular empresa do setor. Entre suas criações, muitas delas assinadas pelo mestre Stan Lee, estão o Homem-aranha, o Quarteto Fantástico, o Homem de Ferro, o Demolidor, os X-Men, só para falar dos “arrasa-quarteirão”, campeões de vendagem. Como todos esses já são sucesso no cinema e a Marvel tem contratos de sessão de direitos com vários grandes estúdios, a Disney ainda terá que esperar o fim dos contratos em vigor para, efetivamente, botar a mão em todo o tesouro. Mas, desde já, poderá explorar vários personagens que ainda não foram utilizados de forma satisfatória no cinema e na TV e entrar no bolo dos lucros das atuais franquias cinematográficas.  Quem não gostou nada disso foi a DC Comics, principal concorrente da Marvel.

 

EDSON SARAIVA

Uma figura de Itaboraí que merece registro e aplausos por seu trabalho nas áreas de cultura e comunicação é, sem dúvida, Edson Saraiva, que em sua longa carreira de locutor e promotor de eventos mostra que é possível manter vivas tradições, como os eventos de debutantes, concursos de beleza e de miss e grandes bailes com boa música. Basta, para isso, a dedicação de quem tem isso no DNA, qualidade e competência, como é o caso de Saraiva. Diretor da Rádio Cultura de Itaboraí (91,5 FM) – que também opta por oferecer uma programação variada e de qualidade, Edson Saraiva está há algum tempo circulando com o jornal CULTURA EM FOCO, que, por si só, já merece elogios, já que é o único jornal voltado para cultura e eventos em Itaboraí e mostrou-se uma idéia bem sucedida. Vale lembrar que o CULTURA EM FOCO é hoje o único jornal da região que publica poesia em suas páginas, já que A VOZ DE MARAMBAIA, do poeta e professor Osvaldo Luiz, e o SALA DE ESPERA, do saudoso Alfredo Chlmtac, não circulam mais. A gente que gosta de cultura agradece ao Saraiva por sua perseverança.

 

(Coluna publicada no jornal REAÇÃO, edição da 1ª quinzena de setembro de 2009)  
Publicado por William Mendonça
em 08/09/2009 às 23h59
 
30/07/2009 23h59
INFORME CULTURAL 30/07/2009
NAS PÁGINAS DO REAÇÃO
Com a volta do jornal REAÇÃO, do meu amigo Mário Pitanga, a coluna INFORME CULTURAL, que já visitou as páginas de O ALERTA, aparece também por aqui. No mesmo estilo, falando sobre cultura, comportamento e outras reflexões nem tão profundas sobre os temas da atualidade. Você, leitor, pode encontrá-la também no site www.williammendonca.com.
 
A SLOW MUSIC DE JOYCE
A cantora e compositora Joyce chegou aos 60 anos em 2008 e, diferente de outros grandes artistas brasileiros, não recebeu as merecidas homenagens. Claramente, também na MPB há uma certa diferenciação entre homens e mulheres. Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Milton Nascimento entraram nos sessenta anos com grandes shows, discos comemorativos e homenagens por todo lado. Joyce, como outras cantoras de sua geração (Gal Costa, Rita Lee, etc), não foi incensada no altar dos grandes talentos. Tudo bem – Joyce continua sendo uma das mais interessantes cantoras brasileiras e uma compositora que marcou um estilo próprio em toda a sua carreira, fazendo sucesso no exterior. Agora, em 2009, Joyce passa a assinar Joyce Moreno e lança um disco de primeira linha, pela gravadora Biscoito Fino. Chamado “Slow Music” (foto), o disco parte do conceito do menos é mais. As pausas e silêncios têm importância em cada música. No repertório, coisas novas, como a faixa título (parceria com Robin Meloy Goldsby) e clássicos como “But beautiful” (de Burke e Van Heusen), que já foi gravada por Sinatra. É um trabalho de uma artista na plenitude da carreira, que talvez não queira homenagens – apenas continuar no seu caminho original, por muito tempo ainda.
 
GRANDE CORA
Se alguém conseguiu lavar minha alma no assunto do fim da exigência do diploma para jornalistas foi a colunista de O Globo, Cora Rónai. Enquanto o próprio O Globo ficou meio em cima do muro e alguns cursos e entidades organizaram estranhas manifestações contra a decisão do Supremo, Cora não poupou palavras e nem deixou dúvidas sobre sua posição em sua coluna de 25 de junho. “A única coisa que o diploma de jornalismo garantiu, até aqui, foi uma reserva de mercado injusta e pouco democrática”, disse a colunista. “Tenho visto muita gente lamentando o tempo que perdeu na faculdade para conseguir o diploma, mas qualquer curso que alguém lamenta ter feito, não precisava, nem merecia, ter sido feito”, completa. Assino embaixo.
 
MAIS UM SE VAI
Não faz muito tempo que tive a triste tarefa de escrever aqui, nesta coluna, sobre a morte violenta de um jornalista e poeta, que dirigia um jornal alternativo. No caso, falava de Alfredo Chlamtac, um dos meus inspiradores. Hoje, vejo quase um filme se repetir ao falar do assassinato de Rafael Pimenta Francisco, produtor cultural, jornalista e poeta niteroiense, de 54 anos, que ocorreu no dia 17 em uma movimentada rua de Niterói. Rafael me deu as duas primeiras oportunidades de ver minha poesia no palco, no já longínquo 1987. Era o tempo áureo das perfomances e o Quinteto Fora de Si, da professora Deila Perez, participou co 1º Ciclo Poesia de Boca, promovido por Rafael. Lá estavam alguns de meus poemas. Meses depois, participei com os poetas Marcello Pires Alves e Margarida Moutinho de outro evento promovido por ele, o Viva Poesia!. Portanto, tenho profundo respeito e admiração por esse cara que sempre abriu espaço para novos talentos. Ele atualmente dirigia o jornal Enseada e continuava produzindo cultura, mas eu há muito tempo não o via. Nem por isso, foi menor o choque de saber que ele foi morto covardemente, não se sabe bem o porquê – não que qualquer porquê justifique tal ato. Enquanto os bons morrem, fico me perguntando se algo ainda poderá salvar a humanidade.
 
MICHAEL JACKSON
É claro que tudo já foi dito sobre a morte de Michael Jackson, o maior ícone pop dos anos 80 que, infelizmente, só ganhava mídia nos últimos anos por situações bizarras. Mas gostaria de abordar dois pontos interessantes. Vi muitas crianças, na faixa dos 8 ou dez anos, falar sobre Jackson e ouvir suas músicas – gente que nunca teria ouvido “Billy Jean” ou “Beat it” de outra forma. É algo que aconteceu comigo em 1977, quando morreu Elvis Presley, o então decadente rei do rock. Aliás, há algumas semelhanças entre os dois como fenômenos pop, fora o fato de Michael ter sido casado com a filha de Elvis. Outro ponto foi a questão da dança de Michael Jackson. Quem ainda não viu, não pode deixar de assistir, nem que seja por curiosidade, ao filme “O pequeno príncipe”, adaptação da obra de Antoine de Saint-Exupéry produzida em 1974. Lá você vai encontrar o cara que inspirou, para dizer o mínimo, os principais passos de Jackson. O coreógrafo e bailarino Bob Fosse interpreta a serpente, que dança como Jackson e não por acaso usa uma roupa muito parecida com coisas que o rei do pop – só que com seis ou oito anos de antecedência. Bob Fosse foi coreógrafo de outros dois grandes sucessos do cinema, “Cabaret”, estrelado por Liza Minelli, e “All that jazz”.
 
TEATRO EM ATIVIDADE
Sob a gestão da Casa de Cultura Heloísa Alberto Torres, que tem à frente o produtor cultural Sérgio Espírito Santo, o Teatro Municipal João Caetano de Itaboraí está em plena atividade. O diretor do Teatro, Vinícius Cardoso, tem buscado incluir o teatro no circuito de peças do estado, mantendo o local aberto durante a semana para atendimento ao público, e sempre com espetáculos nos finais de semana. Foi assim com a passagem por lá do grande ator Bemvindo Siqueira, um dos papas da comédia brasileira, e, no último fim de semana, com a peça “A velha na janela”, da Cia. Baiana de Risos. Além disso, o Teatro será tema de dois filmes que, segundo Vinícius, vão contar a história do próprio teatro e do ator João Caetano, mito da arte dramática brasileira nascido em Itaboraí em 1808.
 
FÉRIAS DAS CONTINUAÇÕES
No cinema, as férias de inverno, além de frias, têm um certo sabor de repetição. Os filmes de maior apelo são, em sua maioria, continuações de sucessos anteriores. “Harry Potter e o enigma do príncipe”, por exemplo, é, assim como o livro do qual foi adaptado, um filme de passagem, preparando terreno para o final da saga do bruxo adolescente. Mais adulto e sombrio, o filme foi elogiado por fãs. Outro arrasa-quarteirão é “Trasformers: a Vingança dos derrotados”, que já está sendo exibido em menos salas, preparando sua saída das telonas.  As crianças também gostaram de “A era do gelo 3”, que tem uma certa cara de mais do mesmo mas teve boa recepção. Parece que o cinema americano está cada vez mais mergulhado na crise da falta de originalidade. 
 
AGRADECIMENTO ESPECIAL
Este colunista gostaria de agradecer aos amigos Bruno Rocha, um dos principais músicos de Tanguá que também trabalha na diagramação e edi-toração de jornais, e Adriano, da @allcad Informática, a principal no ramo de filmagens e eventos em Tanguá, que vieram em meu auxílio no fechamento desta edição do jornal REAÇÃO - quando aconteceu nos meus computadores o que é quase inevitável para quem trabalha com informática, uma infestação por vírus. Saibam que é por gestos como esse, de ajuda desinteressada a um colega de profissão, que percebo que meus mais de vinte anos de carreira valeram a pena.
 
(Coluna publicada no jornal REAÇÃO, de Itaboraí, edição nº 5, 1ª quinzena de agosto de 2009)
 
NOTA BÔNUS
(Faltou espaço no jornal, por isso você só lê aqui no site)

CINEMA BRASILEIRO
Quem tem aquela idéia pré-concebida de que o cinema brasileiro é coisa de baixa qualidade tem mais uma oportunidade de ver que a realidade é bem diferente. O “Dicionário de filmes brasileiros”, de Antonio Leão da Silva Neto, recebeu nova edição neste ano, com a informação de dois mil títulos – inclusive alguns que ainda estão em fase de produção. Lançado originalmente em 2002, o dicionário é obra de um cinéfilo obstinado, que coleciona filmes de 16 mm e usa suas horas vagas para recolher todo tipo de informação sobre o cinema brasileiro. São 101 anos de história, incluindo clássicos como “Limite”, de Mário Peixoto, considerado um marco, e produções mais recentes de grande sucesso, como “Tropa de elite”. São 1.152 páginas – uma obra de referência para quem gosta de cinema no Brasil.
 
ALGUMAS EXPLICAÇÕES
A coluna INFORME CULTURAL teve longos anos de vida no jornal O ALERTA, foi aposentada para a criação da coluna BALAIO GERAL, que ainda publico aqui no site. Agora, com a volta do jornal REAÇÃO, dirigido pelo meu amigo e mestre Mário Pitanga, fui intimado a fazer uma coluna sobre cultura, o que me fez ressuscitar o INFORME CULTURAL. A coluna BALAIO GERAL voltará à imprensa escrita ainda no mês de agosto, desta vez pelas páginas do jornal O VERBO - que vou relançar, em Tanguá, depois de quase cinco anos de paralisação. Se você faz cultura, gosta de cultura, tem algo a falar sobre cultura, colabore com estas colunas. Basta deixar seu comentário com sugestões, críticas ou informações relevantes, para que faça parte de novas edições do INFORME CULTURAL e do BALAIO GERAL. 
Publicado por William Mendonça
em 30/07/2009 às 23h59
 
12/06/2009 23h55
BALAIO GERAL 12/06/2009

DIA DO MEIO AMBIENTE
Um verdadeiro encontro de amigos. Assim transcorreu o show do Dia Mundial do Meio Ambiente, promovido pela Casa de Cultura em palco montado em frente ao Teatro Municipal João Caetano, no último dia 5. Um público mais de duas mil pessoas prestigiou o evento, que além dos shows, teve também a exibição de vídeos do projeto Circuito Tela Verde, de cinema ambiental e distribuição de material explicativo sobre DST/AIDS.
No palco, a principal atração da noite foi a banda que reúne quatro dos cinco integrantes do Barão Vermelho – Guto Goffi (bateria), Fernando Magalhães (guitarra), Rodrigo Santos (voz, violão e baixo) e Peninha (percussão). Durante o recesso do Barão, que só deve retornar em 2011 para comemorar os trinta anos de carreira, os músicos realizam um trabalho paralelo, tocando de forma descontraída sucessos do rock de todas as épocas. No repertório, Beatles, Rolling Stones, Raul Seixas, Jorge Ben Jor,  Cazuza e, como não podia faltar, Barão Vermelho. O público cantou e dançou, esquentando a noite fria de junho.
Na abertura, a Banda Na Estrada, uma das principais bandas do Rio, liderada pelo vocalista Zé Roberto e com a presença de nomes como Beto Saroldi (sax), Tony Roqueiro (guitarra) e Cláudia Sette (vocal). O repertório de rock e pop foi feito sob medida para animar a festa. Rodrigo Santos, do Barão Vermelho, em participação especial, aproveitou a ocasião para cantar sucessos de seu primeiro disco solo, como “Nunca desista do seu amor”.
No final do evento, bandas locais mantiveram a animação do público. O Dia Mundial do Meio Ambiente é uma data que marca a importância da consciência ecológica e, com o aumento dos efeitos do aquecimento global e a urgência para que se tome medidas contra o desmatamento e a poluição, a data ganhou ainda mais importância. Itaboraí realiza o evento em comemoração ao Dia do Meio Ambiente desde 2002 (quando este colunista apresentou o texto “A máquina do tempo”, que você encontra neste site), com produção do gestor da Casa de Cultura, Sérgio Espírito Santo, e equipe.

DEMOREI MAS VI, E GOSTEI
Demorei pra caramba pra assistir “Star Trek”, o filme de J. J. Abraams, que é uma espécie de recomeço na saga de Jornada nas Estrela. Vi e gostei – pra ser sincero, no lado mais fã, simplesmente achei o máximo. Se na TV Star Trek sempre foi sinônimo de saga, dando origem a várias séries e a personagens que tinham anos para se desenvolver de forma completa, no cinema sempre ficou devendo. Comparado a Star Wars, superproduções de George Lucas, sempre Star Trek esteve inferiorizado. Seus melhores filmes, como “A ira de Kahn” (2º), “A volta pra casa” (4º) e “Primeiro contato” (8º, já com a tripulação da Nova Geração), eram bom cinema, transpunham as séries com qualidade para a telona, mas não eram “o máximo”. Mesmo sendo uma franquia extensa, não vinha muito bem das pernas – pouca gente assistiu “Star Trek Nemesis”, o filme anterior, no cinema.
Mas o “Star Trek” é um prato cheio para quem gosta de cinema, para quem gosta da série e até para os discípulos de J. J. Abraams por seus trabalhos em “Lost”, “Alias” e “Missão Impossível 3”. É um verdadeiro início de saga, com atos de heroísmo, um vilão vingativo, viagens no tempo, efeitos especiais de tirar o fôlego e ação, muita ação. Não é um filme cerebral de ficção científica, é o que se classificaria em literatura de “space opera”. Você se agarra na cadeira desde a destruição da U.S.S. Kelvin e o nascimento de Kirk, no início do filme, até a última reviravolta, em que a tripulação da Enterprise mostra realmente de que, e de quem, é feita. As concessões feitas para reunir alguns personagens ali, um pouco antes do tempo em que tudo deveria acontecer de fato, podem ser explicadas pela mudança na linha de tempo causada pelo vilão Nero e, assim, ninguém fica pensando mais naquilo. É um show de cinema, e ponto final.

BOAL, ADEUS!
Mesmo com grande atraso, não posso deixar de comentar aqui sobre a morte de Augusto Boal, que ocorreu no início do mês passado. O criador do “Teatro do Oprimido” era, sem dúvida, o maior nome do teatro brasileiro, respeitado internacionalmente. Um ávido escritor, Boal tem livros basilares para quem quer fazer teatro por aqui, como o próprio “Teatro do Oprimido e outras poéticas políticas”, “200 exercícios e jogos para o ator e o não-ator com vontade de dizer algo através do teatro” e “O teatro enquanto arte marcial”. Não sei se os atores criados através do “Método” de Stanislaviski em escolas como o Actors Studio, dos Estados Unidos, são expostos aos métodos e teorias de Boal, mas tenho convicção de que o Brasil forma atores melhores porque aqui existiu um Boal. Político por excelência, no sentido mais universalista do termo, ele quis fazer uma espécie de inclusão social no teatro, muito antes das políticas que levaram esta idéia a outros setores da vida. O teatro do oprimido é a prova de que qualquer um pode fazer arte, no palco, expondo seus temas e seu espírito para uma platéia. Teatro é isso.

JABOR NO CINEMA
Pois é, muita gente deve estar sentindo falta de Arnaldo Jabor como o irrefreável cronista, nas páginas de O Globo, na rádio CBN e na TV. O ex-ex-cineasta voltou à ativa, mesmo depois de dizer que o cinema não lhe oferecia mais a oportunidade de dizer o que pensa. Está filmando atualmente e, obviamente, tirou férias das outras atividades públicas. Cinema é a verdadeira arte do diretor – é ele quem escolhe tudo, desde os atores até como fica uma cena na versão final do filme. Jabor é um diretor dessa estirpe, um dos melhores do Brasil nos anos 70 e 80. A volta dele é um ponto a favor do cinema nacional, desde que ele não abandone a crônica.

LIVROS, MAIS LIVROS
Pouca gente sabe, mas os caríssimos livros que são lançados todos os dias pelas editoras e viram, ou não, best-sellers, deveriam ser muito mais baratos. Há alguns anos, uma lei reduziu drasticamente os impostos na cadeia produtiva das publicações. A intenção era baratear o produto final e promover uma espécie de democratização do livro. Como no Brasil nada acontece como planejado, os livros continuam caros, inacessíveis à maioria da população, e, pior, a maioria das cidades brasileiras não tem sequer uma livraria ou uma biblioteca pública. De quem é a culpa? Certamente não do escritor, que muitas vezes ganha pouco pelo que produz e disputa a tapa o mercado, tentando ser publicado por alguma editora. Para completar o quadro, o fundo de apoio à leitura criado pela lei, que deveria recolher 1% do faturamento das editoras para criar mecanismos de democratização do livro, como bibliotecas e doações, nem saiu do papel. O Congresso, atolado de medidas provisórias, escândalos e CPIs, ainda não teve tempo de chegar a um acordo sobre o tema. Dizem que isso acontece ainda neste ano. Será?

ATÉ ONDE VÃO OS REALITY SHOWS?
Parece que não tem fim a sede das emissoras de TV pelo mundo afora sobre os reality shows, que eu chamaria de freaky shows de forma mais apropriada. Na TV por assinatura, basta mudar de canal a qualquer hora para esbarrar com um desses – sobre tatuagens, caminhoneiros, roqueiros decadentes, dançarinos exóticos, gente sem estilo na moda, gente querendo casa nova, gente brigando por um emprego com Trump, gente de todo o tipo fazendo todo tipo de coisa, enfim. Na TV aberta, a Record partiu para uma “Fazenda” com famosos de terceira linha, rendendo a jornais de pequeno porte manchetes sobre Mirella, a noiva de Latino (??!!). A Globo está empurrando um programa com a alcunha de “Jogo duro” que consegue ser pior que o BBB e o antigo “No limite” (lembram?). Isso sem contar com os programas com filmagens “verdadeiras”, que deixam as cassetadas do Faustão no chinelo, como os “Vídeos incríveis” do People & Arts ou aquele com perseguições policiais. Com tanta “realidade” na TV, não me admira que tanta gente desista da vida aqui fora.

ZECA PALÁCIO
Deixo aqui minha mensagem de apoio ao amigo Zeca Palácio, o maior diretor de teatro de Itaboraí, um cara que ao longo de mais de 20 anos de vida artística sempre trabalhou formando jovens atores, montando espetáculos marcantes e, nos últimos anos, dirigindo o Teatro Municipal João Caetano. Quero dizer que se hoje, no meio de questões de mudança de governo em que a política muitas vezes supera o mérito pessoal e profissional, ele não está onde merecia por todo o trabalho realizado, o mundo certamente dá voltas e o futuro reserva novas vitórias para Zeca. Ele continua trabalhando, com o apoio e a admiração das centenas de atores com que já trabalhou (eu, inclusive), e isso é o que importa.

APENAS UMA VEZ
Peguei em DVD e assisti hoje o filme “Apenas uma vez” (“Once”, de 2006), sem muita certeza do que iria encontrar. Fiquei atraído pela capa – o cara com um violão ás costas e uma moça. Vi que era algo sobre música e, como não podia deixar de ser, aluguei. O filme irlandês é surpreendente, suave, bonito, um dos melhores que assisti recentemente. O protagonista é simplesmente Guy (um cara), cantor e compositor que, quando não está ajudando o pai em uma loja de aspiradores de pó, está nas ruas tocando seu violão para decolar um trocado. Ele chama a atenção de Girl, uma jovem imigrante checa, que toca piano emprestado em uma loja nos horários de almoço. A parceria improvável vai se formando, enquanto a gente visita Dublin. Há um certo romantismo no ar, mas ela é casada e ele ainda ama a ex-namorada. Com isso, a relação de amor acontece mais na música do que entre os dois. Glen Hansard (da banda irlandesa “The Frames”) e Markéta Inglová são dois músicos que viraram atores para viver esses personagens sem nome no filme de John Carney, que colecionou 14 prêmios, incluindo o Oscar e o Grammy de melhor canção por “Falling Slowly” e o Grammy de melhor trilha. Poucas vezes vi a música se encaixar tão bem em um filme.

Publicado por William Mendonça
em 12/06/2009 às 23h55
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Efuturo: Selo Escritor