William Mendonça
POESIA, PROSA, MÚSICA E TEATRO
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Textos
OCTAVIA E. BUTLER
A visionária precursora do Afrofuturismo


   Dar voz aos negros na ficção científica não foi tarefa fácil. Se para os espectadores de TV a presença de Nichelle Nichols como a tenente Uhura em Star Trek foi fundamental, para quem lê ficção científica a revolução tem nome: Octavia Estelle Butler. Nascida em 22 de junho de 1947, em Pasadena, na Califórnia, a escritora que se encantou pela ficção científica na infância, após perceber que podia fazer melhor do que roteiros de filmes ruins do gênero que povoavam a TV, enfrentou de tudo.
   Octavia cresceu em Pasadena, depois de perder o pai ainda criança. Criada pela mãe, que trabalhava como empregada doméstica, a garota alta, de presença difícil de ser ignorada, encontrou a literatura como seu veículo de expressão, enfrentando a timidez, o racismo e a dislexia. Formou-se no Pasadena City College e lutou com dificuldades para cursar o Clarion Fiction Writers Workshop, a UCLA e a California State University. Já nessa época, chamava a atenção e procurava publicar seus primeiros contos profissionalmente.
   Antes que o sucesso literário lhe sorrisse, Octavia E. Butler trabalhou em vários pequenos empregos, acordando em plena madrugada para escrever. Assim chegou a seu primeiro romance, “Patternmaster”, de 1976, sobre um grupo de pessoas com poderes telepáticos. O reconhecimento veio a partir de seu terceiro livro, “Kindred”, a história de uma mulher negra moderna que viaja no tempo e tem que salvar a vida de um ancestral, homem branco dono de escravos.
   Ainda que definir Octavia E. Butler pela questão racial ou de gênero seja limitante, é algo, em parte, necessário. Autora grande entre os grandes nomes da ficção científica, sua obra brilha independente do nicho ao qual se tente restringi-la. Mas é chamada apropriadamente de "Mãe do Afrofuturismo" pois foi, de fato, a primeira mulher abordar os temas relativos à comunidade negra, especialmente das mulheres afrodescentes, dentro da ficção científica. Foi, também, a primeira mulher negra a ganhar os prêmios Hugo, Nebula e Locus, além do título de “Gênio” pela MacArthur Foundation, em 1995, e o Sci-Fi Hall of Fame póstumo.
   Octavia Butler dizia que aquilo que a atraiu para a ficção científica foi a possiblidade de escrever sobre qualquer tema. Em entrevista para o Democracy Now!, três meses antes de morrer, a autora afirmou que "as pessoas pensam que ficção científica é apenas Star Wars ou Star Trek, mas não há portas fechadas e nem fórmulas obrigatórias". Em seus livros surgem de forma original temas como a escravidão, o fascismo, a opressão sobre trabalhadores, mulheres e negros, entre outros.
   A autora morreu aos 58 anos, em 24 de fevereiro de 2006, em Seattle, Washington, após bater a cabeça em uma queda, provavelmente provocada por um derrame. O Brasil esperou quatro décadas para ter acesso a obras de Octavia E. Butler traduzidas. Apenas em 2017, a Editora Morro Branco apresentou a primeira versão de “Kindred”, livro de 1979, no país. Até meados de 2021 já estavam disponíveis “Parábola dos Talentos” (1993), “Parábola do Semeador” (1998), “Despertar” (1987), “Ritos de Passagem” (1988), e a coletânea de contos “Filhos de Sangue e Outras Histórias”.

(Parte da coletânea ESCRITORES DE SCI-FI, FANTASIA E AFINS, de William Mendonça. Direitos reservados.)
William Mendonça
Enviado por William Mendonça em 13/06/2021
Alterado em 13/06/2021
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