William Mendonça
POESIA, PROSA, MÚSICA E TEATRO
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MATSUO BASHÔ
Poesia japonesa para entender a vida


   Matsuo Bashô não foi o único poeta considerado mestre dos haicais (hokku), longe disso. Aliás, houve um tempo no Japão, notadamente no período feudal, em que poetas criavam escolas literárias e podiam ascender socialmente por seu talento. Esse fenômeno foi mais intenso exatamente no século XVII, em que viveu Bashô. 
   O poeta, que deve seu apelido a uma bananeira que havia em frente à sua cabana, nascido em Iga, Honshu, em 1644, se consolidou como o maior nome da poesia japonesa. Considerado grande ainda em vida, Bashô influenciou a poesia mundial, ao ser redescoberto dois séculos após sua morte. Porém, a vida, a obra e o legado de Matsuo Kinsaku (ou Matsuo Munefasa, nomes pelo qual foi conhecido) estão intimamente ligados à forma poética que lhe coube consolidar e eternizar, o haicai.
   Filho direto de outra forma fixa da poesia japonesa, a waka (ou tanka, muito popular dos séculos VIII a XII) e do renga, poesia usada em desafios, o “haikai no renga”, mais tarde simplesmente haicai, com seus três versos com 5, 7 e 5 sílabas, tornou-se predominante. Porém, em seu início, os temas cômicos dominavam este tipo de poesia. É aí que entra Bashô, ao promover a migração da temática do haicai para assuntos filosóficos e à contemplação da natureza, sempre ligados a um “kigo” (estação do ano).
   Duas perdas foram importantes para esse olhar filosófico do poeta com relação ao mundo: a de seu pai, Matsuo Yozaemon, morto em 1656, e a de seu melhor amigo, Todô Yoshitada, dez anos depois. Bashô começaria a escrever poesia em 1662 e a se aprofundar no ofício, buscando a excelência. Naquele tempo, a arte era uma das poucas coisas que permitiriam a alguém viver fora do rígido sistema de castas que dominava o Japão.
   A vida de Bashô era simples, muitas vezes apenas com o essencial. Em 1679, tornou-se monge, ainda à procura de explicações para questões profundas. Chegou a perder sua cabana, em um incêndio. Depois de encontrar um novo local para morar, um de seus discípulos da escola Shômon transplantou a tão famosa bananeira. Em frente à árvore, o mestre passaria a meditar.
   Viveu parte de sua vida em Edo (hoje Tóquio) e, após tornar-se monge, mudou-se para Fukagawa, em 1680. Algum tempo depois, Bashô começa a série de viagens que marcariam seus últimos anos. Os relatos sobre essas viagens foram transformados em livro pelo poeta, com destaque para “Oku no hosomichi”. Escrevendo e pintando sempre – a união dessas duas artes é uma característica da obra de Bashô – o mestre voltou a Edo, em 1692, como um respeitado haikaishi (mestre dos haicais).
   Em sua última viagem, já com a saúde debilitada, Bashô publica duas antologias de trabalhos de sua escola (“Betsuzashiki” e “Sumidawara”). Quando estava em Osaka, morre a 28 de novembro de 1694. Por seus temas e concisão, a poética de Bashô acabou sendo uma improvável, mas decisiva, influência sobre os movimentos modernistas no Ocidente. No Brasil, vários poetas deram voz aos haicais, caso mais marcante de Paulo Leminski.

(Parte da coletânea HISTÓRIAS DE POETAS, de William Mendonça. Direitos reservados.)

 
William Mendonça
Enviado por William Mendonça em 07/09/2020
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