William Mendonça
POESIA, PROSA, MÚSICA E TEATRO
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Textos
JERZY GROTOWSKI
O Teatro Pobre e a volta ao básico


   Na segunda metade do século XX, uma das contribuições mais importantes para o pensamento e o fazer teatral veio da Polônia, país do Leste europeu que, à época, fazia parte da série de países comunistas que orbitavam a União Soviética. O diretor e teórico Jerzy Grotowski, que nasceu em 11 de agosto de 1933, na cidade de Rzeszów, levou o teatro de volta aos seus elementos básicos: ator e público. E fez isso ao estabelecer o conceito, e as práticas, do que chamou de Teatro Pobre, a despeito de toda a riqueza que ele revelou.
   Pobre, na dialética que embasou o trabalho do Teatro-Laboratório de Opole, criado por Grotowski em 1959 (e transferido para Wroclaw em 1965), se opunha à opulência do teatro, cada vez mais grandioso e cheio de elementos estranhos à cena, que dominava os espaços teatrais especialmente no Ocidente. Numa busca do que chegou a se chamar Teatro Total, encenadores incorporavam mais elementos cenográficos, imagens, vídeos, músicas, orquestras, figurinos suntuosos, e o que mais viesse. Para Grotowski, nada disso era necessário para o teatro.
   Formado na Escola Técnica de Teatro de Cracóvia, em 1955, Grotowski passou um ano em Moscou, onde recebeu a influência do trabalho de Stanislavski e Meyerhold, e voltou à Polônia, onde se graduou diretor. Sua primeira montagem já gerou polêmica – a adaptação que fez do romance "Deuses da Chuva", de Jerzy Krzyszton, chamou atenção, pois a trama acabou reduzida a um tema sobre o qual foi construído um novo trabalho, como o próprio diretor em entrevista.
   Mais alinhado com o teatro feito em países orientais, como o Japão e a China, Jerzy Grotowski se aproximou conceitualmente de outro importante teórico, o francês Antonin Artaud, e estabeleceu uma metodologia que chamou de Teatro Ritual. O diretor polonês, que conseguiu escapar do Nazismo refugiando-se na fazenda de um tio que era arcebispo de Cracóvia, estudou e aplicou o poder dos mitos ao teatro, e procurou, através de exercícios inovadores, gerar um novo tipo de ator.
   Grotowski apostou em uma série de exercícios de expressão corporal e improvisação, que permitiriam a liberação física e psicológica do ator para a atividade que exercia. O ator, figura central do teatro de Grotowski, carregava o espetáculo em cada célula do corpo, e criava algo novo a cada apresentação, já que o próprio público interferia em seu trabalho.
   Já dirigindo o Teatro-Laboratório, “Caim” (1960), “Fausto” (1962) e “Akropolis” (1962) mostraram o mundo ocidental, em plena Guerra Fria, que havia vida inteligente no teatro feito no chamado bloco comunista. Uma montagem baseada livremente em textos bíblicos, “Apocalipsis Cum Figuris” (1968), encenada em Worclaw, é considerada o exemplo das teorias de Grotowski mais perfeito, quando aplicadas.
   É também de 1968 a primeira edição do livro fundamental “Em Busca de um Teatro Pobre”, em que o diretor apresenta os caminhos do seu método, que quer eliminar da relação entre atores e público tudo o que é supérfluo, todas as máscaras cotidianas, convenções sociais e estereótipos. Ele morreu em 14 de janeiro de 1999, na cidade italiana de Pontedera.


(Parte da coletânea GENTE DE TEATRO, de William Mendonça. Direitos reservados.)
William Mendonça
Enviado por William Mendonça em 20/02/2020
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