William Mendonça
POESIA, PROSA, MÚSICA E TEATRO
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Textos
SAMUEL BECKETT
O absurdo no teatro não tem limites
 
 
   Considerado o maior nome do chamado Teatro do Absurdo, o irlandês Samuel Beckett possui vida e obra realmente singulares. Poeta, romancista e dramaturgo, Beckett é único por ter escrito e publicado em duas línguas – o inglês e o francês – uma obra definitiva para a literatura mundial e, certamente, o único Nobel de Literatura nestas circunstâncias (prêmio que recebeu em 1969). É também lembrado por ter sido amigo e secretário de James Joyce, o maior nome das letras irlandesas.
   Nascido em 13 de abril de 1906, em Fokrock, Dublin, Beckett chegou a escrever várias obras em inglês, alcançando reconhecimento. No entanto, a mudança em 1938 para Paris, onde viveria por quase 50 anos, alterou o foco de sua obra e abriu espaço para o surgimento do dramaturgo Samuel Beckett. Nesse mesmo ano, é gravemente ferido ao ser agredido por um estranho com uma facada no peito, e conhece Suzanne Deschevaux-Dusmenoil, com quem viveria o resto da vida. A partir de 1947, ele adota definitivamente o francês como idioma de sua literatura e, em 1952, publica sua primeira peça teatral, “Esperando Godot”, onde dois vagabundos conversam enquanto esperam um tal Godot, que nunca chega.
   A abordagem original da peça e a inteligência do texto foram o bastante para que Beckett alcançasse sucesso e influenciasse a dramaturgia que seria feita a partir dali. Suas peças surpreendiam o público e instigavam atores e diretores. “Jogo final”, de 1957, leva ao palco personagens paralíticos que vivem em latas de lixo, num inspirado momento de humor negro e polêmica. Em 1959, apresenta “A última gravação de Krapp”, em que um personagem monologa com um gravador. Já em “Dias felizes”, de 1961, uma mulher fala sobre os melhores momentos de sua vida, enquanto enterra-se em um monte de areia.
   Levando o absurdo às últimas conseqüências, Beckett desvincula o teatro do realismo, prefere o silêncio e as situações vazias como ferramentas da expressão, e mergulha na angústia humana em momentos de anticlímax. Mistura um humor corrosivo a uma pesada sobriedade, aumentando ainda mais o estranhamento. Não há momentos de riso fácil. Beckett chega ao extremo de escrever “O jogo” (1964), peça que tem dois atos exatamente iguais.
   Como romancista, Samuel Beckett também se destacou internacionalmente, por “O indomável” (1953) e pela trilogia “Murphy”, “Molloy” e “Malone morre”. Faleceu em 22 de dezembro de 1989, em Paris.
 

(Parte da coletânea GENTE DE TEATRO, de William Mendonça. Direitos reservados.)
William Mendonça
Enviado por William Mendonça em 09/12/2010
Alterado em 18/04/2019
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